Homem supérfluo b

A quarta «revolução» industrial contida no interior da terceira revolução é a tendência para tornar o homem supérfluo. Procura substituir o trabalho do homem pelo automatismo de instrumentos; realizar um estado de coisas em que não se pode dizer que ninguém é preciso, mas apenas o mínimo possível de trabalhadores. Não se pode acusar ninguém, nenhum empresário, por mais fanático de racionalização que ele seja, de ter como objectivo privar os homens de trabalho. O que os empresários procuram fazer nos nossos dias não é privar os trabalhadores de trabalho, é privar a sua própria empresa de trabalhadores. A nossa tese enuncia-se assim: «O WQ [coeficiente de trabalhadores] dos países altamente industrializados tende de maneira contínua (assimptótica) para zero.» Uma das características essenciais da fase da revolução industrial chamada «racionalização» assenta no facto de eliminar o homem como homo faber; no facto de provocar uma situação em que o trabalho se vai tornando, dia após dia, mais raro e mais inabitual; situação em que o trabalho, longe de continuar a ser o equivalente a uma maldição, acabará por ser reivindicado como um direito e privilégio reservado a uma elite cada vez mais reduzida. Por conseguinte, aquilo que aguarda a maior parte das pessoas como nós é uma existência sem trabalho.

Günther Anders, ensaísta e ficcionista alemão

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