O fio condutor desta revista, editada em Portalegre (Portugal) com colaboração internacional, é a confluência crítica entre dois extremos: a tecnologia como configuração totalitária do capitalismo e a resistente presença das culturas vernaculares. Do conteúdo desta publicação fazem parte várias formas de expressão: artigo, ensaio, poesia, ficção, foto, desenho, pintura.

«Ninguém vive completamente separado da terra; um tal isolamento é inimaginável. Devemos pois, mais cedo ou mais tarde, conciliar-nos com o mundo que nos rodeia. Tenho em mente sobretudo o mundo físico, não apenas como no-lo revelam de imediato os nossos sentidos, mas também como o vamos apreendendo, com mais verdade, ao longo das estações e dos anos. Porque temos de chegar a um acordo moral com este mundo. A meu ver, não há alternativa, se quisermos realizar e conservar a nossa humanidade; o ideal ético e prático de preservação faz necessariamente parte da nossa humanidade.
Duvido que algum de nós saiba orientar-se pelas estrelas e os solstícios. O nosso sentido da ordem natural embotou-se, tornou-se pouco fiável. A esfera dos nossos instintos reduziu-se, tal como se reduziu a nossa capacidade de conceber a realidade da própria natureza selvagem. No entanto, e apesar disso, creio ser possível formularmos uma ideia ética da terra – uma noção daquilo que ela é e do que deverá ser no nosso dia-a-dia. E creio sobretudo que isso é absolutamente necessário.»
 

N. Scott Momaday

O homem supérfluo

A quarta «revolução» industrial contida no interior da terceira revolução é a tendência para tornar o homem supérfluo. Procura substituir o trabalho do homem pelo automatismo de instrumentos; realizar um estado de coisas em que não se pode dizer que ninguém é preciso, mas apenas o mínimo possível de trabalhadores. Não se pode acusar ninguém, nenhum empresário, por mais fanático de racionalização que ele seja, de ter como objectivo privar os homens de trabalho.