Nº6

Nº 6 – Maio de 2019 | Sumário

Na capa: fotografia de Rosa Gauditano – 280 pp.

Júlio Henriques • Governo e autogoverno
Jorge Leandro Rosa • As facetas do Colapso
Álvaro Fonseca • «O asteróide somos nós» | Considerações sobre a iminência do colapso ambiental
JH • Cena democrática 373
Paulo Barreiros • O Brasil a caminho de uma nova idade das trevas
Ailton Krenak • Enquanto tiver taquara, tem de fazer flecha
Joëlle Ghazarian • Shuku Shukuwe | Uma revolta do olhar
FG e JH • Para uma antologia da poesia ameríndia contemporânea – Poemas de Joséphine Bacon, Lance Henson, Simon J. Ortiz, Peter Blue Cloud, Éléonore Sioui, Graça Graúna, Eliane Potiguara
Gérard Lambert • A insurreição dos Coletes Amarelos
Phil Mailer • É necessária uma catarse
MUNDO ABERTO: PRESENÇA DE KENNET WHITE
Jorge Leandro Rosa • Uma resistência aberta | Breve apresentação de Kenneth White
Kenneth White • Carta a Portugal a propósito da geopoética
Jorge Leandro Rosa e Júlio Henriques • Em diálogo com Kenneth White
Kenneth White • No fim da auto-estrada da História
JH • Muitas Auroras ainda não brilharam | Nove poemas de Kenneth White
PMO • Apelo dos Chimpanzés do futuro contra o trans-humanismo,
seguido de Totalitarismo tecnocrático
JH • I&DT (poema)
Ana Marques • Ciborgues trans- e pós-humanos discutem no fim do mundo
Manuel Portela • O sujeito transparente da sociedade digital
Jorge Custódio • Era da «inteligência artificial» | A propósito das transformações do ser humano
Macedonio Fernández • A abóbora que se fez cosmo
Eleanor Madruga Luzes • A tecnologia e o desenvolvimento cerebral
David Le Breton • O corpo-mercadoria
Ana Marques • Delírio transdutivo, escrita automática e alucinação do sentido
Joëlle Ghazarian • Recusas
Francis Dupuis-Déri • Os anarquistas e a prostituição: perspectivas históricas
Maria de Magalhães Ramalho • Monges e meretrizes do Desterro | Um mosteiro
e cinco casas de Lisboa
Quim Sirera • Instalados na carência (poema)
Anselm Jappe • O que é que falta às crianças?
Götz Eisenberg • O enigma da «servidão voluntária»
JH • Coisos que acontecem
PDuarte • O turismo à conquista do planeta: uma história de violência e conflitos
Antigoni Geronta • Uma cidade para nós os burros
Paulo Ramalho • Uma ilha é um animal muito frágil
JH • Notas finais de alguns começos
Henry David Thoreau • Independência (poema)

Do nº 6

A minha aposta é que vamos ser nós a desaparecer primeiro. Os índios sabem fazer muito com pouco. Nós sabemos pouco com muito. — Eduardo Viveiros de Castro

Na complexidade do presente mundo, as pessoas são confrontadas com extraordinários acontecimentos e funções que lhes são literalmente ininteligíveis. São incapazes de dar uma explicação adequada dos fenómenos provocados pelo homem na sua experiência imediata. São incapazes de conceber um quadro coerente e racional do todo. Em tais circunstâncias, todas as pessoas devem aceitar, e aceitam, na verdade, um grande número de coisas com base na fé. Estão conscientes de que os principais componentes dos sistemas complexos normalmente funcionam, de que outros especialistas sabem o que estão a fazer e de que o todo, de algum modo, encaixa num ajustamento mais ou menos bom. Mas a sua forma de compreender é basicamente religiosa, mais do que científica; só uma pequena porção da sua experiência quotidiana na sociedade tecnológica poderá ser tida como científica. Toda a gente é forçada a depender e a ter fé em questões sobre as quais tem pouca informação ou compreensão. — Langdon Winner